quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
...
Ontem sentei-me e pensei que a minha existência não faz qualquer sentido. Olhei para o chão e percebi, aos poucos, que apenas os meus pés ali estavam e eram apenas os meus olhos que se encontravam a observar aquelas pequenas partículas que formam parte do meu ser. Toquei a minha pele, observei tudo em meu redor e conclui que estava sozinha. O silêncio reinava e, de repente, uma brisa toca-me o rosto... fechei os olhos e deixei-me absorver por aquele momento. Respirei fundo, levantei a cabeça e olhei para a janela à procura da resposta a uma pergunta que desconheço. Encontrei o meu reflexo e parei, fixei-me nele, naquela cara, naquela pessoa, naquele olhar. Sombrio que ele é... triste... magoado... só...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
...
Mas porquê... se tudo se encaixa? Mesmo quando no silêncio depositamos uma mágoa, quando de nós só sai um suspiro há um só som para se ouvir, um só rosto para se descobrir. Tudo se junta e faz sentido. Basta olhar de relance nos teus olhos, sentir o teu cheiro, tocar a tua pele e... as peças unem-se como se nunca antes tivessem estado separadas. Não vás...
...
Acordei com vontade de voltar a mergulhar naquele mundo que teima em não me deixar entrar. Aquele que nos seduz, que nos agarra com as duas mãos e nos sussura ao ouvido que nada há a temer. E deixo-me seduzir por ele. Agarra-me, leva-me, diz-me que está tudo bem, que dentro de ti eu adormeço, fecho os olhos sem medo... e sonho. Entro num mundo que desejo ser longe de tudo o que conheço, fora e dentro dele ao mesmo tempo. Toco o céu com a ponta dos dedos e sinto, no mesmo instante, a areia fria debaixo dos pés. Nada é impossível, tudo é real. Naquele momento, inconsciente, sem controlo, sem rede, sinto a liberdade que nunca alcanço, que sei ser impossível de conseguir. Ontem mergulhei, respirei fundo, dei um passo, tentei abrir a porta, mas estava fechada à chave.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
...
É a pensar naquilo que se cruza comigo, no tempo que passa por mim, que acabo por sentir que a vida me passa ao lado. Não pela falta do agir, do viver os dias para os quais acordo, do atravessar portas que se fecham atrás de mim e corredores que permanecem desconhecidos. Mas por aquilo que não consigo controlar, pelos momentos mal resolvidos que me escapam por entre os dedos, pelos rostos que se afastam de mim e que não consigo esquecer. Será assim tão difícil fazer parar o tempo, parar aquele minuto precioso, um momento que queremos que permaneça eterno? Recuso acreditar que não controlo nada. Prefiro sentar-me no chão, cheia de nada, e pedir que me leves daqui, porque recuso acreditar que não controlo nada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)